Terça-feira, Maio 27, 2008

Sobra tanto espaço
Dentro do abraço
Falta tanta coisa pra dizer
Que nunca consigo


[Sobra tanta falta . Teatro Mágico]

Por Marcela | |


Terça-feira, Abril 29, 2008


Life is full of surprises; just say never and you’ll see.

Por Marcela | |


Quarta-feira, Março 12, 2008

Tudo dorme. E o que é passível de sentido, é na verdade, distorcido. Disforme.

Por Marcela | |


Terça-feira, Fevereiro 19, 2008

Nossa vida é uma história colocada em pontos, dúvida, exclamação. Um sujeito simples, que é parte do contexto, esperando um adjunto, complemento, seu predicado. E sem intenção de ser prejudicado, se coloca entre vírgulas, a vida em pausas. Adjuntos ou separados, eu aposto que espera é ser complemento de uma oração. Elevação. E aquele sujeito simples, vocativo da solidão, torna-se de fato sujeito composto, disposto. Contradição.

Por Marcela | |


Sexta-feira, Fevereiro 08, 2008

Não escrevo o real. Nem tudo que se faz em palavras foi vivido. Tornar o real imaginável. Às vezes fica difícil separar o que me pertence e o que foi criado. Mas não quero uma verdade inventada. Não quero uma vida de palavras vazias que preenchem o espaço que eu mesma deixei. Quero a vida, justa ou não. Quero o caos, a turbulência, a dor. Quero o medo, quero a paz, o amor. Não quero transformar em vida o que foi palavra. Mas escrever em memórias as histórias que ensaiei.

Por Marcela | |


Domingo, Janeiro 27, 2008

De todas as coisas que tenho visto ultimamente, por tudo que tem acontecido na minha vida nos últimos anos, pelas escolhas que tenho feito, pelos medos e, principalmente, pelas consequências que tenho assumido, nada faz mais tem sentido do que a frase que ouvi certo dia: a vida não tem Ctrl Z.


Não mesmo.

Por Marcela | |


Terça-feira, Janeiro 15, 2008


Quando a dúvida chega, a dor orienta. Você é apenas corpo. Cada pedaço, cada célula anestesiada pela angústia, medo. E você se acostuma, prazer passa ser refúgio. Viver é dor. Você é o nada, o grão de areia que se movimenta pela força de alguém. O peão que se arrasta no tabuleiro, que depende, que se entrega. A sujeira que se esconde no canto cinzento. A verdade que você engole, que atravessa a garganta, que morre.
O nada depende de você. Somos apenas uma massa indo em qualquer direção. O fluxo, o movimento e você segue. Pensar cansa, dói. E sentir passa a ser escolha. E você escolhe o não. Por que dor? Por que cor, por quê? Porque viver é isso. Você vive no instante em que você sofre. Felicidade é uma ilusão insistente. Uma história. Uma religião. É preciso crer, mesmo sem ver, sem sentir. Sufocar a dor. Criar uma ausência, um hiato. Torpor. E de repente você vive. E você sente. Para voltar ao jogo, a regra, a excessão. Seria a felicidade uma estrada? Ou seria escuridão? Talvez seja silêncio. Aquele que você espera, aquele silêncio que você já nasce predestinado a conhecer. Aquele que faz fechar os olhos. Que faz dormir, sonhar.

Por Marcela | |


Segunda-feira, Janeiro 14, 2008


Tudo o que ele diz é verdade. Não se pode fazer arte só porque se tem um temperamento doidinho. Um desânimo profundo. Pensei que só não deixaria de escrever porque trabalhar é a minha verdadeira moralidade.
(...)
Dei um ar de tristeza? Não, dei um ar de alegria.

Clarice Lispector para Fernando Sabino.

Por Marcela | |


Segunda-feira, Dezembro 24, 2007

Seguimos nossa vida. Temos nosso ponto de vista. Nossa versão, nossa história. Nem ligamos ou nos preocupamos com a visão das outras pessoas sobre a vida. É fato. Por mais que a gente tente parecer justo, dividir e compartilhar, uma parte de nós é egoísta e nos mantém preso ao nosso mundo, olhando fixamente para o nosso umbigo.

Eu não sei o que essa data tem a ver com tudo isso, mas é um momento em que paramos e nos sentimos felizes em ajudar alguém. Mas a vida não é fácil o ano todo, certo? Pois é. Eu estava numa festa, numa comunidade carente, que mobilizada pelo espírito natalino doavam presentes para as crianças. Algumas pessoas dali trabalham o ano todo para manter cada uma dessas crianças saudáveis, outros apenas vestem a fantasia de papai noel. Durante meu percurso de observadora, fui abordada por uma menina de seis anos. Ela me olhou nos olhos. Um olhar escuro, profundo e marcante. Olhou de verdade, como nenhum adulto ousaria olhar. Segurando nas minhas mãos ela disse: - Eu sou preta e pobre. Minha vida não é fácil.

Nem eu esperaria que fosse.

Um feliz natal pra todos que fazem a vida de cada criança mundo afora um pouco melhor. Não mais fácil, mas um pouco mais suportável.

Por Marcela | |


Domingo, Outubro 14, 2007

Aprendam uma coisa sobre mim, passe o tempo que passar, demore o tempo que for, eu sempre estrago tudo no final.

Por Marcela | |


Domingo, Setembro 02, 2007

De repente, descobri que fechar a porta pode significar abrir a janela. Aos que foram, sorte. Aos que ficaram, aproveite.

Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final.
Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.
Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.
Foi despedida do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações? Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu.
Pode dizer para si mesma que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó.
Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seu marido ou sua esposa, seus amigos, seus filhos, sua irmã, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.
Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco.
O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.

As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora.

Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem.
Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.
Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se. Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos.
Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor.
Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais.
Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do "momento ideal".

Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará.
Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade.
Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.
Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.
Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é.
Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu própria, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és.
E lembra-te:
“Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão”

Não sei quem escreveu, não fui eu. Mas poderia.

Por Marcela | |


Domingo, Agosto 12, 2007

Um moça desajeitada encosta na mesa tentando encontrar algo mais interessante e que a mostre menos deslocada. Ela nunca foi realmente adepta das festas, principalmente, da parte da dança.
Eis que um rapaz de sorriso largo se aproxima e estende a mão.
- Gostaria de dançar?
Ela sorri - Se você quiser dançar comigo pelo simples prazer da dança, seria melhor procurar outra pessoa. Mas se dançar for apenas uma desculpa para me conhecer, aceito.

E a garota estendeu a mão. E o rapaz sorriu.

Por Marcela | |


Quarta-feira, Agosto 08, 2007

"A idéia de que, se morresse, não existiria mais, que teria de passar pela porta obscura, que havia alguma coisa que não podia controlar, coordenar ou prever, foi para mim uma fonte permanente de medo. Que eu, de repente, tinha tido a coragem de dar à Morte a figura de um palhaço branco, personagem essa que conversava, jogava xadrez e não arrastava consigo quaisquer segredos, foi o primeiro passo em minha luta contra o horror que sentia da morte."

INGMAR BERGMAN
1918-2007


(trechos extraídos do livro "Imagens", de Bergman, Editora Martins Fontes, 2ª Edição, São Paulo, 2001)

Por Marcela | |


Sexta-feira, Julho 27, 2007


Estar lúcido dói. Abrir os olhos é doloroso. Arde, sangra, machuca. Ver aquilo que tanto negamos e que tanto ignoramos, mas que inevitavelmente nos salta aos olhos e grita na nossa cara, a boca próxima, o hálito quente. E as palavras ecoam em nossa lucidez. Sim, somos impotentes.
No sonho é doce, é fácil. Somos desejáveis, livres, fortes e suficientes para nós mesmos. Mas a lucidez aparece e cospe em nós. E ela nunca vem só. Traz as dúvidas, as incertezas, a insegurança. E ela é ácida. Corrói.
Aparece num momento cruel. Tira o sono, arranca a paz.
Ou tudo isso, era um sonho?
Talvez.

Por Marcela | |


Terça-feira, Julho 03, 2007

o que há depois da morte?

Por Marcela | |
PASSADO
OUTROS PALADARES
Weblog Commenting and Trackback by HaloScan.com